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Florestas em crescimento absorvem muito mais CO2 do que se pensava.

Jovem em floresta medindo altura de muda de árvore ao lado de tablet e aparelho eletrônico no chão.

As florestas são tratadas há anos como um escudo natural contra o aquecimento global. Pesquisas recentes, porém, indicam que alguns tipos de floresta - sobretudo áreas jovens e em regeneração - têm um potencial gigantesco, até aqui subestimado, para retirar CO2 da atmosfera. Ao mesmo tempo, os estudos deixam claro o quão facilmente esse ganho pode se inverter.

Por que as florestas são tão poderosas para o clima

Ao crescer, as árvores absorvem dióxido de carbono do ar, incorporam esse carbono na madeira, nas raízes e nas folhas e o mantêm armazenado por longos períodos, muitas vezes por séculos. É por isso que especialistas as descrevem como “sumidouros de carbono”.

  • As árvores removem CO2 da atmosfera.
  • Elas armazenam carbono no tronco, nos galhos, nas raízes e também no solo.
  • Quando uma floresta é degradada ou destruída, parte desse carbono volta para a atmosfera.

"Proteger florestas e fazer um reflorestamento inteligente pode fixar mais CO2 do que muitos modelos climáticos pressupuseram até agora."

O ponto central, segundo os novos dados, não é apenas quanta área florestal existe. Importa - e muito - em que fase de crescimento essas florestas estão e quão ricos em nutrientes são seus solos.

Florestas dos EUA: recorde de carbono armazenado

Nos Estados Unidos, a tendência aparece com força. Nas últimas duas décadas, as florestas do país acumularam mais carbono do que em qualquer período do século XX - um salto que pegou de surpresa até parte da comunidade científica.

A idade das árvores como fator “invisível” do clima (florestas e sequestro de carbono)

Há vários vetores atuando juntos: temperaturas mais altas, mudanças no padrão de chuvas e o efeito de “fertilização” ligado ao aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Ainda assim, o fator que mais pesa é a idade dos povoamentos.

Em áreas onde muitas árvores estão no auge do crescimento, o estoque de carbono aumenta de forma especialmente intensa. Estimativas apontam que apenas as florestas dos EUA no máximo de desempenho de crescimento capturam cerca de 89 milhões de toneladas extras de carbono por ano - algo comparável às emissões anuais de um país industrial de porte médio.

Do lado das ações humanas, existem forças em direções opostas:

  • Quando se evita o corte e se permite que as florestas envelheçam, o estoque de carbono cresce.
  • Novos plantios adicionam capacidade extra de fixação.
  • O desmatamento elimina, a cada ano, aproximadamente 31 milhões de toneladas de carbono já estocado.
  • Programas de restauração florestal hoje recuperam cerca de 23 milhões de toneladas desse total.

No saldo, o resultado ainda é positivo - mas sustentado por um equilíbrio frágil. Se o ritmo de derrubada acelerar ou se ocorrerem secas por vários anos seguidos, os ganhos podem se transformar em perdas em poucas décadas.

"O benefício climático das florestas depende totalmente de elas poderem envelhecer - e de os povoamentos jovens terem, de fato, a chance de se regenerar."

O “código” de nutrientes nas florestas tropicais: sem nitrogênio, pouco avança

Nas regiões tropicais, aparece outro elemento importante e frequentemente negligenciado: a disponibilidade de nutrientes, em especial o nitrogênio. Em muitos trópicos, décadas de uso intensivo empobreceram os solos. Assim, falta às árvores um componente crucial para formar proteínas e massa foliar.

Quando esses solos recebem nitrogênio de forma direcionada, a floresta pode crescer, nos primeiros dez anos, quase duas vezes mais rápido do que cresceria sem esse apoio. O impacto climático é direto: florestas tropicais em regeneração poderiam absorver até 820 milhões de toneladas adicionais de CO2 por ano se tivessem nitrogênio suficiente à disposição.

Para comparar: isso equivale a cerca de dois por cento das emissões globais anuais de gases de efeito estufa. Em outras palavras, melhorar a nutrição do solo poderia compensar uma parcela relevante das emissões do planeta - ainda que por um período limitado.

Quando o excesso sufoca o solo

Nitrogênio, no entanto, não é solução mágica sem custo. Em lugares onde indústria, transporte e agricultura já lançam grandes quantidades de compostos nitrogenados no ar, as florestas muitas vezes estão saturadas.

Se mais nitrogênio chega ao solo nessas condições, a chamada respiração do solo pode cair de forma abrupta. Trata-se do processo em que organismos do solo decompõem matéria vegetal morta e reciclam nutrientes.

"Quando a respiração do solo entra em colapso, todo o ecossistema florestal sofre - dos microrganismos subterrâneos até as copas das árvores."

Uma interrupção prolongada desses mecanismos traria consequências severas: perda de vigor da floresta, queda na biodiversidade e, no longo prazo, a própria instabilidade do estoque de carbono que havia sido construído.

Crescimento no Norte: florestas boreais jovens avançam com força

Além dos trópicos e das zonas temperadas, as florestas boreais também estão no centro das análises. Esse imenso cinturão de coníferas ao redor do hemisfério norte - da Escandinávia, passando pela Rússia, até o Canadá - se expandiu de maneira clara nas últimas décadas.

Entre 1985 e 2020, a área dessas florestas aumentou cerca de 12 por cento, o que representa aproximadamente 844.000 km² - maior do que a Alemanha e a França somadas. Ao mesmo tempo, o limite da floresta se deslocou de forma mensurável para o norte, em média em pouco menos de 0,3 grau de latitude.

O destaque está nos povoamentos jovens: florestas com menos de 36 anos já fixam entre 1,1 e 5,9 petagramas de carbono. Um petagrama corresponde a 1 bilhão de toneladas. À medida que envelhecem, essas florestas podem, com o tempo, acrescentar mais 2,3 a 3,8 petagramas de carbono ao estoque.

Em termos de escala, isso equivale a vários anos de emissões de gases de efeito estufa de um grande país industrial. Assim, a zona boreal é bem mais relevante para o balanço climático global do que muitos documentos estratégicos vêm considerando.

Florestas secundárias: especialistas climáticos subestimados

Além dos grandes blocos boreais, pesquisadoras e pesquisadores têm observado com atenção as chamadas florestas secundárias. Elas se formam onde antigas áreas agrícolas foram abandonadas ou onde regiões desmatadas ficaram sem uso e passaram a se regenerar.

Novas análises sugerem que proteger de maneira direcionada essas florestas em crescimento pode fixar até oito vezes mais carbono por hectare do que uma estratégia baseada quase exclusivamente em novos plantios. A explicação é simples: essas florestas já estão estabelecidas, costumam crescer com grande dinamismo e contam com ecossistemas de solo funcionando.

"Nem toda árvore recém-plantada pesa tanto quanto uma floresta secundária jovem, já estabelecida."

Por isso, políticas que apostam somente em grandes campanhas de plantio ficam aquém do necessário. A rapidez com que uma floresta retira CO2 do ar não depende apenas da área: idade, estrutura e espécies têm um peso decisivo.

O que isso muda na política climática e na prática

O conjunto de evidências recentes desloca o foco: em vez de metas apenas de área, cresce a importância de um manejo florestal de qualidade. Para usar florestas como instrumento climático, três pilares se destacam:

  • Proteger povoamentos antigos e jovens, em vez de explorá-los cedo demais ou derrubá-los.
  • Incentivar florestas secundárias em regeneração, sobretudo em antigos territórios agrícolas e em áreas antes desmatadas.
  • Tratar a questão dos nutrientes com cuidado, especialmente em regiões tropicais.

Em projetos nos trópicos, por exemplo, surge a questão de como recuperar solos sem sobrecarregar ecossistemas sensíveis com fertilizantes industriais. Já nas zonas boreais, o desafio é lidar com temperaturas em alta, mais incêndios e ondas de pragas - sem perder novamente o estoque de carbono acumulado pelas florestas jovens.

Exemplos práticos e riscos

Na América Latina, iniciativas têm testado a inclusão de espécies arbóreas fixadoras de nitrogênio em projetos de restauração. Essas árvores se associam a bactérias capazes de tornar o nitrogênio do ar utilizável, melhorando o solo sem a necessidade de aplicar grandes volumes de adubo.

Na América do Norte e na Escandinávia, empresas florestais vêm experimentando ciclos de manejo escalonados: áreas com maior taxa de crescimento ficam protegidas por mais tempo, enquanto outras são colhidas de forma planejada e, depois, restauradas. A meta é manter continuamente uma combinação de florestas maduras, com grande capacidade de estoque, e florestas jovens, de crescimento rápido.

Ao mesmo tempo, os riscos são reais: secas mais longas elevam a chance de incêndios, pragas se beneficiam de invernos mais amenos, e eventos climáticos extremos podem liberar em pouco tempo milhões de toneladas de carbono. Por isso, planejar o clima com apoio das florestas continua sendo uma corrida contra o tempo e a imprevisibilidade.

Também não há dúvida de que florestas em crescimento não servem como desculpa confortável para manter as emissões como estão. Elas oferecem, porém, um potencial maior do que se acreditava - desde que não sejam apenas plantadas, e sim manejadas com inteligência e protegidas de forma permanente.

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