Na primavera, muitos jardineiros amadores pegam automaticamente em sacos de adubo especial. Mas quem cria galinhas já tem esse adubo em casa - fresco, todos os dias. O estrume das galinhas, retirado do galinheiro, pode fornecer aos canteiros e às árvores de fruto nutrientes que competem facilmente com os produtos comprados. O truque está em transformar este «resíduo» num elixir do solo compatível e altamente eficaz.
Porque é que o estrume de galinha é tão valioso na horta
Entre os adubos de origem animal mais apreciados, o estrume de galinha é considerado uma verdadeira potência. Contém muito mais azoto, fósforo e potássio do que o estrume de vaca, de ovelha ou de cavalo. São სწორედ estes elementos que impulsionam o crescimento, a formação de flores e o vingamento dos frutos.
Depois de bem preparado, o estrume do galinheiro transforma-se em «ouro negro» para solos cansados.
No dia a dia, a cama suja vai muitas vezes parar, sem cuidado, à pilha de composto ou até ao lixo indiferenciado. Com isso, desperdiça-se uma fonte gratuita de nutrientes que faz verdadeiros milagres, sobretudo nas hortas de legumes.
O que a cama das galinhas contém de facto
Na limpeza do galinheiro surge uma mistura variada:
- palha ou aparas de madeira
- penas
- estrume de galinha
- restos de alimento e areia
A zona mais interessante fica mesmo debaixo dos poleiros. Aí acumula-se a maior parte do estrume, mais concentrado e, por isso, ainda mais rico em nutrientes. É precisamente essa combinação que serve de base para o adubo final.
O perigo: o estrume de galinha fresco queima as plantas
Por muito eficaz que seja o estrume de galinha, a sua aplicação direta é delicada. O estrume fresco comporta-se como um fertilizante líquido demasiado forte. As raízes e as folhas das plantas jovens reagem de forma sensível.
Se a cama acabada de sair do galinheiro for colocada no canteiro, acontece depressa o seguinte:
- as raízes queimam e as plantas murcham de baixo para cima
- as folhas ficam com bordos castanhos e manchas
- as plântulas morrem ao fim de poucos dias
Os jardineiros chamam a isto um adubo «quente»: demasiado azoto em demasiado pouco tempo. O solo até consegue aguentar, mas as plantas não. Por isso, o estrume de galinha precisa de uma fase de maturação antes de ser usado em canteiros e árvores de fruto.
Seis meses de repouso: do estrume ao composto fino
Como funciona o processo de maturação
O caminho mais seguro passa pelo composto. A cama do galinheiro vai para uma pilha própria ou para o composto normal. Aí começa uma transformação lenta:
- a temperatura da pilha sobe, os germes e as sementes de infestantes morrem
- a estrutura desfaz-se e tudo fica mais fino e esfarelado
- o cheiro intenso desaparece e sobra um aroma terroso
Ao fim de cerca de meio ano, a mistura agressiva transforma-se num composto suave e bem tolerado. Os nutrientes permanecem, mas passam a estar numa forma que as plantas conseguem absorver gradualmente.
Humidade e ar: sem cuidados não há bom adubo
Para o processo resultar, a pilha precisa de um mínimo de atenção:
- Verificar a humidade: A massa deve parecer-se com uma esponja espremida. Se estiver demasiado seca, a decomposição abranda; se estiver encharcada, apodrece.
- Remexer regularmente: Soltar com a forquilha de jardinagem cerca de três em três semanas. Assim entra oxigénio e os microrganismos mantêm-se ativos.
Quanto melhor a pilha estiver arejada e humedecida, mais depressa o estrume forte se transforma num composto fino e granulado.
Como aplicar o composto de estrume de galinha no canteiro
Canteiros de legumes: uma camada fina, um efeito forte
Depois de amadurecido, o composto de estrume está pronto a usar. Para plantas de legumes muito exigentes, funciona bem uma espécie de «crosta nutritiva» à volta das plantas:
- espessura da camada: 2 a, no máximo, 3 centímetros
- distância ao caule: deixar alguns centímetros livres para evitar apodrecimento
- melhor altura: na primavera, depois da plantação, ou no início do verão
As culturas que mais beneficiam são:
- tomates
- curgetes e abóboras
- beringelas
- couve, como brócolos ou couve branca
A cada rega e a cada chuvada, pequenas quantidades de nutrientes dissolvem-se e infiltram-se até às raízes. As plantas crescem com vigor, formam caules grossos e folhas intensas - sem adubo químico.
Árvores de fruto e arbustos de bagas: um anel em vez de uma pilha
O adubo de galinha também funciona bem debaixo da macieira, das groselheiras e das framboeseiras. Aqui, o ideal é trabalhar em forma de anel:
- marcar a zona sob a copa
- espalhar um círculo fechado de composto, com 2 a 3 centímetros de espessura
- deixar uma folga junto ao tronco para que nada roce na casca
As raízes finas encontram-se sobretudo na zona periférica da copa. É precisamente aí que a camada de composto fornece os nutrientes. No ano seguinte, as plantas retribuem com mais flores, rebentos mais robustos e frutos maiores.
Camada protetora por cima: porque é que a cobertura morta é a estrela discreta
Palha, feno, relva cortada: a tampa do buffet de nutrientes
Se o composto ficar exposto, os nutrientes perdem-se com o sol, o vento e as chuvadas fortes. Por isso, a camada de composto deve receber por cima uma segunda camada de material vegetal:
- palha limpa
- feno sem espigas muito cheias de sementes
- relva cortada ligeiramente seca
- restos de vivazes triturados
Esta cobertura morta cumpre várias funções ao mesmo tempo:
- mantém o solo húmido durante mais tempo
- protege os nutrientes do arrastamento pela água
- abranda o crescimento de ervas daninhas
- evita a formação de crostas duras depois da chuva
Composto do galinheiro mais cobertura vegetal no canteiro - este duo torna os canteiros muito mais fáceis de cuidar.
Como os organismos do solo transformam isto em «terra de luxo»
Debaixo da cobertura morta, minhocas, tatuzinhos-de-jardim e inúmeros microrganismos sentem-se em casa. Eles fragmentam o composto e a cobertura, misturam ambos com a terra existente e, ao mesmo tempo, abrem túneis e vazios.
As consequências no solo:
- o solo fica mais solto e a água infiltra-se melhor
- as raízes encontram mais ar e mais espaço
- a camada fértil torna-se escura, fina e guarda água como uma esponja
Do resíduo do galinheiro nasce um sistema: jardinagem no próprio ciclo de nutrientes
Vantagem financeira e ecológica
Quem aproveita o estrume do galinheiro de forma consistente poupa dinheiro de verdade. Os sacos caros de adubo especial tornam-se dispensáveis, ou pelo menos muito menos frequentes. Ao mesmo tempo, diminui a quantidade de resíduos a eliminar.
Para muitos auto-suficientes há ainda outro ponto importante: aumenta o controlo sobre as próprias áreas. Sabe-se exatamente o que entra no solo, sem ter de adivinhar que aditivos uma empresa industrial misturou no produto.
Onde estão os limites e os riscos
Apesar de todo o entusiasmo, o uso do estrume de galinha exige alguma sensibilidade:
- nunca espalhar estrume fresco no canteiro, devendo este ser sempre bem compostado
- em solos argilosos muito pesados, aplicar em camada um pouco mais fina
- em verões secos, regar com regularidade para que os nutrientes cheguem mesmo às raízes
Quem estiver a trabalhar com composto de galinha pela primeira vez faz melhor em começar por uma área pequena. Assim é fácil observar como reagem os legumes e as árvores de fruto, ajustando depois a quantidade no ano seguinte.
Exemplos práticos do quotidiano na horta
Um cenário típico: no outono, o galinheiro é limpo a fundo e o material vai para uma pilha separada no canto da horta. Na primavera, junta-se ainda um pouco de relva cortada e folhas secas, remexe-se a pilha uma ou duas vezes - e no fim do verão já há composto fino pronto a usar.
No ano seguinte, esse composto vai para o canteiro à volta de tomates, pimentos e pepinos, recebendo por cima uma camada fina de palha. Muitos jardineiros amadores relatam então plantas mais fortes, menos necessidade de rega e pés de tomate surpreendentemente mais duradouros.
Em paralelo, parte do composto pode ser reservada para uma ou duas árvores de fruto. Um anel estreito sob a copa basta para, ao fim de dois anos, se notarem cascas de fruta mais cheias na mesa da cozinha.
Quem quiser compreender melhor o seu solo pode recorrer a testes simples: se depois da chuva se formar uma crosta dura, vale a pena usar mais cobertura morta. Se a água infiltrar mal, ajuda uma mistura de composto do galinheiro com material estrutural mais grosso, como ramos triturados. Em combinação com o uso regular de adubo de galinha, cria-se assim, passo a passo, um solo vivo e resistente, capaz de suportar melhor até os extremos do tempo.
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