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Nova técnica reduz até 73% do arsênio no arroz.

Pessoa coando arroz quente em peneira sobre tigela de vidro na cozinha, enquanto duas crianças estão ao fundo.

Quem consome arroz com frequência não está ingerindo apenas carboidratos e fibras: em certas situações, também pode estar levando arsênio para o prato. Esse elemento ocorre naturalmente no solo e na água, mas pode se acumular no organismo e, ao longo do tempo, favorecer problemas de saúde. Pesquisadores testaram agora um jeito de cozinhar o arroz que reduz bastante o teor de arsênio sem “lavar” totalmente seus nutrientes.

Por que o arroz consegue absorver tanto arsênio

O arsênio existe naturalmente em rochas e solos. Com a chuva e a erosão, ele pode parar no lençol freático e também em rios e lagos. E é aí que o arroz se diferencia: ele é cultivado em ambiente alagado.

Em arrozais inundados, a planta fica continuamente exposta à água que pode conter arsênio. Pelas raízes, o arroz absorve parte desse composto e acaba depositando uma fração no grão - grão que, mais tarde, chega à mesa como arroz branco ou arroz integral.

Em comparação com outros cereais, como trigo ou aveia, o arroz tende a incorporar arsênio com mais facilidade. Por isso, órgãos de fiscalização costumam monitorar esse alimento com atenção. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) aponta uma associação entre a ingestão de arsênio inorgânico e maior risco de diferentes tipos de câncer, sobretudo de pele e pulmão. Também são debatidos danos aos vasos sanguíneos e possíveis efeitos sobre o sistema nervoso.

"O arroz é um alimento básico no mundo todo - justamente por isso, qualquer redução do teor de arsênio tem grande importância para a saúde de muitas pessoas."

Para limitar a exposição, a União Europeia define limites máximos claros: para arroz branco, o teto é de 0,15 miligrama de arsênio por quilograma; para arroz integral, 0,25 miligrama por quilograma. Esses parâmetros orientam produção e comércio. Já para o dia a dia na cozinha, ainda faltam recomendações específicas na Europa sobre qual preparo é mais indicado para reduzir arsênio.

O que os conselhos do TikTok & Co. realmente entregam

Nas redes sociais circulam várias dicas: lavar o arroz repetidas vezes, deixar de molho de um dia para o outro, cozinhar sem escorrer, preparar na panela elétrica… As promessas variam de “remove tudo” a “não faz diferença”.

A agência norte-americana FDA avaliou métodos comuns com mais detalhe. A orientação da FDA é cozinhar o arroz em bastante água: de seis a dez partes de água para uma parte de arroz. Ao final, o excesso é descartado.

Cozinhar em muita água: bom contra arsênio, ruim para nutrientes

Essa abordagem “tipo macarrão” funciona, sim: o teor de arsênio pode cair cerca de 40 a 60%. O motivo é simples: parte do arsênio migra para a água de cozimento e vai embora quando ela é escorrida.

O problema é o custo nutricional. Segundo a FDA, ao descartar a água também se perde uma parcela relevante de nutrientes, com reduções de aproximadamente 50 a 70% em:

  • folato (uma forma de ácido fólico),
  • ferro,
  • niacina (vitamina B3),
  • tiamina (vitamina B1).

Para quem usa o arroz como fonte frequente desses nutrientes, isso significa abrir mão de uma parte importante do benefício.

Outra recomendação muito repetida - e muitas vezes superestimada - é apenas enxaguar o arroz antes de cozinhar. De acordo com a FDA, a lavagem diminui o arsênio só de forma mínima e, ainda assim, pode retirar vitaminas e minerais presentes na superfície dos grãos. Ou seja: o ganho para a saúde tende a ser pequeno.

"Lavar o arroz, sozinho, não basta - e cozinhar num caldeirão de água leva vitaminas demais embora."

O método “Escaldar e Absorver”: 73% menos arsênio no arroz

Pesquisadores da Universidade de Sheffield avaliaram uma técnica de preparo que busca um equilíbrio melhor. O estudo foi publicado na revista Science of the Total Environment e repercutiu em diferentes veículos.

A proposta junta duas etapas: puxar o máximo de arsênio para a água logo no começo e, depois, terminar o cozimento de um jeito mais suave, sem ficar “enxaguando” nutrientes o tempo todo. Os autores descrevem o processo como um pré-escaldamento seguido de cozimento por absorção.

Como fazer o método (passo a passo) para reduzir arsênio no arroz

Na prática, dá para aplicar em casa sem equipamento especial:

  1. Meça o arroz e passe rapidamente por água fria para remover poeira e resíduos soltos (opcional).
  2. Coloque o arroz em bastante água fresca e leve ao fogo até ferver.
  3. Deixe ferver vigorosamente por cinco minutos.
  4. Escorra totalmente e descarte essa água - é nela que fica uma grande parte do arsênio dissolvido.
  5. Adicione água limpa novamente, agora apenas o suficiente para ser absorvida durante o cozimento (conforme o tipo de arroz, algo em torno de 1,5 a 2 vezes o volume).
  6. Cozinhe em fogo médio, com tampa, até a água ser absorvida e o arroz atingir a textura desejada.

Resultado: em média, a quantidade de arsênio cai 73% no arroz branco e 54% no arroz integral. Ao mesmo tempo, a maioria dos nutrientes é preservada melhor do que no método de “muita água”. Um destaque é o zinco - importante para imunidade e metabolismo -, que permanece em grande parte no grão.

"Com apenas cinco minutos a mais no fogão, dá para reduzir bastante o teor de arsênio no arroz - sem transformá-lo num deserto de nutrientes."

Quais tipos de arroz e quais grupos sentem mais o impacto do arsênio

A concentração de arsênio varia bastante conforme a região de cultivo e a variedade do arroz. Em geral, o arroz integral tende a apresentar mais arsênio do que o arroz branco, porque as camadas externas do grão concentram mais resíduos. Só que essas mesmas camadas também entregam fibras e minerais - um dilema clássico.

Quem come arroz apenas de vez em quando não precisa entrar em pânico. O tema se torna mais relevante para quem consome produtos de arroz com muita regularidade, por exemplo:

  • crianças que recebem com frequência bolachas de arroz ou mingau de arroz,
  • adultos que comem arroz várias vezes por semana como acompanhamento,
  • pessoas que, por motivos culturais ou pessoais, usam o arroz como principal fonte de carboidrato,
  • consumidores de bebidas de arroz e macarrão de arroz.

Nesses casos, qualquer redução na exposição é bem-vinda - especialmente quando o consumo se mantém alto por muitos anos.

Dicas práticas para o dia a dia com arroz

A técnica nova ajuda bastante, mas não substitui escolhas sensatas. Para quem quer reduzir o risco, dá para combinar estratégias:

  • alternar tipos de arroz, como basmati, jasmim, parboilizado e integral;
  • variar as fontes de carboidrato e incluir batata, macarrão, milho-miúdo (painço), bulgur ou cuscuz;
  • para bebês e crianças pequenas, preferir produtos explicitamente testados para arsênio;
  • evitar que o arroz seja o item principal de todas as refeições, todos os dias;
  • quando o consumo for frequente, usar o método de pré-escaldar e cozinhar por absorção.

Quem usa panela elétrica de arroz pode adaptar: pré-cozinhe por cinco minutos numa panela comum, escorra a água, transfira o arroz para a panela elétrica com água fresca e finalize o cozimento ali.

O que o arsênio faz no organismo - e por que a dose é decisiva

No corpo, o arsênio interfere em diferentes processos metabólicos. O arsênio inorgânico - o tipo que pode aparecer no arroz - é associado a:

  • aumento do risco de câncer (entre outros, pele, pulmão e bexiga),
  • danos aos vasos sanguíneos,
  • alterações no sistema nervoso,
  • efeitos negativos no desenvolvimento infantil quando a exposição é alta e prolongada.

Intoxicações agudas por consumo normal de arroz na Europa são extremamente raras; a preocupação aqui é a soma de pequenas doses ao longo de anos. Por isso, autoridades tentam reduzir a carga total em toda a cadeia - do plantio ao preparo.

Na prática, isso significa que não é preciso banir o arroz da cozinha. Dá para continuar com o curry preferido ou com o sushi, por exemplo. Ao ajustar o modo de cozinhar e variar os acompanhamentos, a ingestão de longo prazo pode cair de forma relevante.

Checagem de conceitos: o que significa “arsênio inorgânico”

Em muitas reportagens aparece a diferença entre arsênio orgânico e arsênio inorgânico. Formas orgânicas podem surgir, por exemplo, em algumas algas marinhas e costumam ser vistas como menos preocupantes. Já o arsênio inorgânico é o grupo mais ligado aos riscos e é o foco dos limites regulatórios.

No caso do arroz, a atenção recai principalmente sobre o arsênio inorgânico vindo do solo e da água. Por isso, análises laboratoriais costumam separar essa fração ao avaliar contaminação. Ao ler estudos e relatórios de órgãos públicos, vale observar esses termos para interpretar os números corretamente.

O ponto interessante é que medidas simples na cozinha conseguem gerar um impacto grande. O método apresentado não muda o sabor do arroz, exige só alguns minutos a mais e reduz um risco real que muita gente nem imaginava estar presente no prato.

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