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A família Arnault agora é a principal proprietária da LVMH.

Homem idoso assina documento formal enquanto três pessoas observam ao fundo em sala elegante.

O clã Arnault atingiu um marco histórico ao assumir oficialmente o controle de mais da metade do capital da maior empresa de luxo do mundo. Esse reforço, validado pelas autoridades do mercado, consolida o domínio da família sobre um império que ela vem construindo há quase quarenta anos.

A escalada impressiona. Em 1988, quando deu seus primeiros passos dentro da LVMH, Bernard Arnault detinha apenas 5 %. Desde então, o cenário mudou por completo. De acordo com a Autorité des marchés financiers (AMF), a família Arnault ultrapassou o patamar simbólico de 50 % em 19 de fevereiro de 2026. Hoje, ela tem, com exatidão, 50,01 % das ações e confirma sua supremacia com 65,94 % dos direitos de voto.

Essa progressão no capital foi conduzida de forma planejada: de 46,4 % em 2013, a participação avançou em etapas sucessivas, impulsionada por aportes de vários bilhões de euros, sobretudo a partir de 2021. Ao alcançar a maioria absoluta, um controle que já existia na prática passa a ser um fato contábil incontestável.

Estratégia de longo prazo da família Arnault na LVMH em meio às turbulências

Para Bernard Arnault, cruzar esse limiar não se resume a uma manobra financeira. O CEO do grupo sustenta que um formato familiar torna possível se libertar da “ditadura do trimestre”.

“* Um grupo familiar não pensa no resultado imediato. Ele investe no médio prazo e cria produtos para o longo prazo*”, disse ele recentemente diante de analistas. Ao se tornar majoritária, a família passa a ter mais instrumentos para blindar sua visão estratégica contra as pressões de curto prazo dos mercados.

Isso porque essa consolidação ocorre em um momento econômico especialmente pesado para o gigante. A LVMH enfrenta ventos contrários em seus três mercados centrais. Na China, motor histórico que respondeu por 40 % do crescimento do setor nos últimos anos, o consumo ainda custa a se recuperar de uma crise profunda, apesar dos planos de estímulo de Pequim. Ao mesmo tempo, o cenário ficou mais incerto nos Estados Unidos com as ameaças de tarifas de importação em grande escala levantadas por Donald Trump.

E a França também entra na conta. Desde a dissolução da Assembleia Nacional em junho de 2024, a incerteza política pressionou as cotações. Em um ano, o valor de mercado do grupo encolheu 36 %, a ponto de sua ação cair abaixo da de sua rival Hermès. Em 2025, o lucro líquido da LVMH também recuou 13 %, chegando a 10,9 bilhões de euros.

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