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Gui Junmin, Zhan Wenlian e a criogenização na China

Homem segura foto enquanto toca cápsula com mulher dentro, em ambiente de escritório com janelas grandes.

Na China, Gui Junmin mandou congelar o corpo da esposa na esperança de que, no futuro, os avanços tecnológicos permitam trazê-la de volta. Isso, porém, não o impediu de tentar retomar a vida enquanto espera.

Imagine um mundo no estilo Demolition Man: alguém é “colocado em pausa” num banho de líquido a temperaturas próximas do zero absoluto, apostando que um dia será possível devolvê-lo à vida. Essa é a promessa da criogenização - um procedimento que busca vitrificar o corpo com o uso de crioprotetores (compostos anticongelantes) e, depois, armazená-lo em tanques a -190 °C, como se o tempo tivesse sido interrompido. A lógica é simples: talvez a medicina do futuro consiga “acordar” essa pessoa. Até agora, no entanto, ninguém jamais foi reanimado.

Como funciona a criogenização e o que ela promete

A criogenização há muito alimenta o imaginário popular e costuma ser apresentada como uma passagem de ida para um “hospital do futuro”, onde seria possível renascer quando existirem tratamentos. Só que a ciência, por enquanto, é bem menos otimista: o método enfrenta forte ceticismo, porque reanimar um corpo inteiro de forma viável continua, neste momento, no campo da ficção científica.

Mesmo com milhares de interessados e com centenas de pessoas já mantidas congeladas ao redor do mundo, não existe, até o presente, qualquer caso confirmado de retorno à vida.

Uma história de romance nada calorosa na China

Parece enredo de filme futurista, mas aconteceu de verdade. Na China, Gui Junmin, hoje com 57 anos, decidiu preservar por criogenização o corpo da esposa, Zhan Wenlian, que morreu de câncer de pulmão em 2017. Movido pelo vínculo entre os dois, ele assinou um contrato de 30 anos com um instituto especializado e manteve Zhan num reservatório de nitrogênio líquido a -190 °C.

O detalhe que gerou controvérsia é que, desde 2020, Gui teria começado um novo relacionamento com uma mulher chamada Wang Chunxia - enquanto sua primeira esposa continua criogenizada, à espera de um retorno incerto.

Vida pessoal durante a espera: a nova relação de Gui Junmin

Após a criopreservação do corpo de Zhan, Gui Junmin viveu sozinho por dois anos. Em 2020, porém, voltou a se relacionar com alguém. Ainda assim, ele diz que não desistiu da esposa falecida e afirma que Wang “ainda não entrou no seu coração”.

Críticas, consentimento e debate nas redes sociais

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Para muitos observadores, a decisão soa profundamente egoísta - como uma forma de “satisfazer suas próprias necessidades emocionais” sem considerar, de fato, o consentimento da esposa que agora está congelada.

Nas redes sociais, as opiniões se dividem de maneira intensa: há quem diga que já passou da hora de “deixar os mortos descansarem em paz”, enquanto outros levantam a dúvida: “Zhan teria aceitado isso? E Wang, é apenas uma opção prática?”.

Segundo estimativas, cerca de 600 pessoas já teriam sido “criopreservadas”, mas ainda é totalmente incerto se alguma delas um dia terá a chance de contar a própria história.


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