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Monumento renascentista destruído em Tomar

Árvore caída com raiz exposta em frente a igreja histórica e aqueduto em dia nublado.

“Ver aquilo e dar de cara com aquela cena é devastador, só árvores derrubadas. A floresta ficou completamente destruída” e “tivemos de fechar a mata ao público porque há muitas árvores instáveis”, explicou Tiago Carrão à Lusa, numa altura em que uma parte significativa do município - sobretudo nas freguesias do norte - ainda enfrenta falta de energia e problemas de comunicação.

A diretora do Convento de Cristo, Andreia Galvão, relatou que o monumento, classificado como Património Mundial, também sofreu danos: um vitral foi destruído e duas gárgulas se desprenderam. Ainda assim, destacou que o impacto principal ocorreu nas árvores ao redor.

“De manhã, havia várias árvores caídas. Os ciprestes centenários são muito românticos, mas têm pouco sistema radicular, e isso ficou evidente”, disse, mencionando também quedas no laranjal histórico do monumento. Apesar disso, frisou que o maior prejuízo atingiu a Mata dos Sete Montes, contígua ao Convento de Cristo, mas sob gestão do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

O estado em que ficou a Charolinha da Mata Nacional dos Sete Montes em Tomar. 😥 pic.twitter.com/hlY2Gx8cVI
- Pedro Semedo (@pedrocsemedo) January 31, 2026

“Foi inesperado, e a força e o impacto disso foram incalculáveis; foram três ou quatro horas de terror”, recordou a arquiteta.

A mata centenária tornou-se agora um retrato dos estragos provocados pela Tempestade Kristin, e a pequena capela acabou destruída pelas árvores que caíram ao redor, restando apenas ruínas.

Erguida no século XVI, a capela funcionava como uma “casa de verão”, onde os monges se recolhiam para rezar no meio da floresta, ao abrigo do calor, com pontos de água.

O conjunto é uma das atrações turísticas imperdíveis na Mata dos Sete Montes (Mata das Sete Colinas) e inclui ainda um aqueduto que também sofreu danos, sobretudo devido à queda de árvores.

“A área está muito encharcada e, por razões de segurança, a mata está fechada porque existe risco de deslizamentos de terra ou de novas quedas”, explicou Tiago Carrão.

Mesmo assim, o Instituto Politécnico de Tomar (IPT) já realizou uma vistoria ao monumento, e já há condições para que ele seja reconstruído no âmbito da requalificação da área prevista pela prefeitura.

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