Meu marido, há muito tempo, começou a chamar minhas coxas carinhosamente de “as branquinhas”. Você já entendeu o motivo: elas são, disparado, a parte do meu corpo de que eu menos gosto - e quase nunca têm permissão de ver a luz do dia. Só que, de uns tempos para cá, a situação deu uma piorada. Pontinhos, ondulações, carocinhos ou, simplesmente, aquelas áreas molengas e nada bonitas estão aos poucos “invadindo” as branquinhas.
E, embora o meu querido marido jure que tudo isso é consequência das contorções que eu faço tentando enxergar as pernas na frente do espelho, a verdade é que está acontecendo. Aí começo a me perguntar: isso é inevitável conforme vou avançando pela casa dos 30, ou dá para evitar?
Para entender melhor, vale lembrar que a gordura é formada por células chamadas adipócitos. O papel principal dessas células é guardar reservas de energia. Essa energia se acumula na forma de lípidos, que são devolvidos ao corpo quando ele precisa. Esses nódulos de gordura ficam agrupados entre a camada mais profunda da pele e a musculatura. A pessoa só começa a ganhar peso quando os adipócitos passam a armazenar mais energia do que o corpo realmente usa. Todo mundo já ouviu a frase: consumo de calorias versus gasto de calorias. Em outras palavras, para não ganhar peso, você precisa gastar mais calorias do que ingere.
Quando as reservas de gordura estão em excesso, a circulação do sistema linfático e dos vasos sanguíneos tende a ficar mais lenta. Somado a isso, quantidades elevadas de estrogênio favorecem a retenção de água sob a pele, o que limita ainda mais a circulação e a libertação dessas reservas energéticas. Com o tempo, o tecido gorduroso excedente começa a “saltitar” e a fazer volume entre o músculo e a pele - e o resultado é: CELULITE!
E, de novo, é algo bem mais comum em mulheres do que em homens. Obrigada, hormônios - e obrigada também ao fato de que, naturalmente, acumulamos mais gordura em quadris, glúteos e coxas.
Exercício continua a ser o melhor caminho contra a celulite nas coxas
Se a ideia é reduzir a aparência da celulite, o exercício ainda é a estratégia mais eficaz. Ele ajuda a firmar e a tonificar os tecidos conjuntivos fibrosos, melhora a circulação e aumenta o gasto calórico. A combinação que costuma funcionar melhor é treino intervalado de alta intensidade com movimentos de força.
Já faz isso? Eu também! E você não está sozinha: dizem que 80% das mulheres têm celulite em alguma parte do corpo.
As escolhas de estilo de vida também interferem no aspeto da pele. Hábitos como fumar, consumir álcool, beber pouca água e dormir mal entram como fatores que contribuem. O ideal é uma dieta com pouca gordura, baseada em proteínas magras, muitos vegetais e carboidratos de baixo índice glicêmico. Evite açúcar, amidos, ultraprocessados e refrigerantes.
Já faz tudo isso direitinho? Então vamos ver o que ainda sobra de opção!
Ao longo dos anos, várias clientes minhas experimentaram tratamentos diferentes: drenagem linfática, procedimentos a laser caríssimos e até aquela moda estranha de “congelamento de gordura” que, felizmente, passou. Desculpem, meninas, mas os resultados tendem a durar pouco, custam muito caro e - não dá para esquecer - costumam doer. E, apesar de existirem inúmeros cremes e loções “milagrosos”, o mais provável é que seja mais uma jogada de marketing: muitas vezes, é a massagem ao aplicar o produto (e não algum ingrediente mágico) que dá uma reduzida temporária no aspeto das covinhas.
Então qual é o meu plano de ação e a minha recomendação? Vou concentrar os meus esforços em melhorar a circulação. Que hábitos eu consigo adotar que não custem uma fortuna e que façam sentido como estratégia realista de longo prazo?
É isto que estou a considerar:
- Tenho usado leggings de treino para trabalhar e, parando para pensar, elas provavelmente ficam apertadas demais para usar o dia inteiro. Daqui para a frente, leggings de algodão.
- Vou reduzir a cafeína para um máximo absoluto de dois cafés por dia. Afinal, eu também sou humana.
- Eu já bebo bastante água, mas acrescentar um copo extra aqui e ali não deve fazer mal.
- O temido banho alternando quente e frio. O meu avô viveu mais de 100 anos e, todas as manhãs, desde que eu me lembro, ele entrava em uma piscina gelada. Acho que eu consigo encarar um minuto de água fria no final do meu banho matinal para estimular a circulação.
- Preciso começar a praticar as minhas saudações ao sol todos os dias antes do início do meu curso de ioga em junho. 10 min diários a mais de trabalho de flexibilidade só podem trazer coisas boas.
- Por último, vou voltar a usar a Powerplate. Lembra daquela máquina de exercício que virou febre há muito tempo? Vibração corporal certamente tem de ajudar! A Powerplate já foi comprovada como capaz de melhorar a circulação sanguínea e o retorno linfático. Além disso, apresenta resultados mensuráveis em melhorias das funções metabólicas, do tônus muscular e da estabilidade. Meninas, talvez tenhamos uma vencedora aqui!
Factos importantes sobre usar a Powerplate
- Ao usar a Powerplate, garanta sempre que as articulações estejam flexionadas.
- Nunca apoie a cabeça ou o pescoço na Powerplate.
- Só é preciso usar o aparelho por, no máximo, 20 min de cada vez; eu, provavelmente, não faço mais do que 10 min, três vezes por semana.
- Como em qualquer exercício, comece devagar e na menor frequência. Só porque você não “sente” nada enquanto está no aparelho, não significa que não esteja a funcionar.
- O aparelho provoca respostas neurológicas no músculo, que por sua vez estimulam recetores sensoriais; então, dê tempo para as vias neurais se formarem.
- Faça uma combinação de exercícios de força e massagem na Powerplate.
Prometo voltar com uma publicação de acompanhamento daqui a 3 meses para atualizar qualquer progresso ou alteração nas “branquinhas”. E eu adoraria ouvir as suas verdades de casa sobre se as minhas sugestões funcionaram com você.
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